Paciente passou mal poucas horas após aplicar um medicamento sem registro na Anvisa; médicos reforçam que produtos vendidos ilegalmente podem conter substâncias desconhecidas e provocar complicações graves.

Cabeleireiro Thalyson Salvino contou, nas suas redes sociais, o que passou após o uso de uma caneta emagrecedora. Foto: Reprodução/Redes Sociais
A busca pelo emagrecimento rápido terminou em uma internação para um homem que usou uma caneta emagrecedora comercializada ilegalmente no Brasil. Horas após aplicar o medicamento, ele apresentou tremores, taquicardia, náuseas, vômitos e uma crise de hipoglicemia, precisando de atendimento hospitalar. O caso reforça o alerta de especialistas sobre os riscos do uso de medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Morador de Natal (RN), Thalyson Salvino contou que adquiriu uma caneta anunciada como contendo retatrutida, substância ainda em fase de estudos e que não possui autorização para comercialização no país. Antes de iniciar o uso, ele chegou a consultar a médica que o acompanhava, mas decidiu ignorar a recomendação para não utilizar o produto.
“A minha médica disse para eu não tomar, porque não era regulamentado pela Anvisa. Mas, mesmo assim, eu fui contra e paguei um preço muito alto”, relatou.
Segundo ele, os primeiros sintomas surgiram menos de 24 horas após a aplicação. Inicialmente, sentiu tremores intensos e sensação de desmaio. Com o agravamento do quadro, procurou atendimento médico e recebeu diagnóstico de hipoglicemia.
Após receber medicação e ser liberado, os sintomas voltaram. Thalyson afirma que continuou apresentando náuseas, vômitos, taquicardia, tremores e dificuldade para se alimentar, mesmo tendo utilizado uma dose inferior à normalmente indicada para o início do tratamento.
Medicamentos clandestinos preocupam especialistas
De acordo com especialistas, casos como esse evidenciam os riscos da compra de medicamentos vendidos de forma clandestina, sem controle dos órgãos reguladores. Como esses produtos não possuem registro na Anvisa, não há garantia sobre a composição, a concentração dos princípios ativos, as condições de fabricação, o transporte ou o armazenamento.
Além das reações imediatas, médicos alertam que o uso dessas substâncias pode provocar complicações em órgãos como fígado, rins e coração. Também há relatos de efeitos como queda de cabelo, alterações na pele e disfunções hormonais.
Outro fator de preocupação é que alguns produtos comercializados ilegalmente utilizam substâncias ainda em fase experimental, cujos efeitos a médio e longo prazo ainda não foram completamente conhecidos pela comunidade científica.
Uso deve ter acompanhamento médico
Especialistas orientam que medicamentos para tratamento da obesidade ou perda de peso sejam utilizados apenas quando aprovados pelos órgãos reguladores e sempre com prescrição e acompanhamento médico. A recomendação é evitar a compra de produtos oferecidos em redes sociais, aplicativos de mensagens ou por vendedores sem autorização, já que a origem e a qualidade desses medicamentos não podem ser verificadas.