Proposta apresentada pelo ministro Kassio Nunes Marques será discutida com empresas de pesquisa e prevê reconhecimento às estimativas mais próximas do resultado oficial das urnas.

Ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Crédito: Luiz Roberto/TSE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentou nesta terça-feira (14) uma proposta para criar um selo de acurácia eleitoral, destinado a reconhecer os institutos de pesquisa cujas estimativas mais se aproximarem dos resultados oficiais das eleições. A iniciativa foi apresentada pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, durante reunião com representantes de institutos de pesquisa.
Segundo a minuta apresentada aos participantes, a premiação teria caráter exclusivamente honorífico e não serviria como certificação oficial da qualidade metodológica das empresas. A proposta prevê que sejam avaliadas apenas as pesquisas divulgadas nos sete dias que antecedem a votação e as pesquisas de boca de urna. Institutos condenados por irregularidades graves ficariam de fora do reconhecimento.
De acordo com o TSE, os institutos terão até sexta-feira (17) para enviar sugestões sobre os critérios da premiação e até mesmo sobre o nome do selo. As contribuições serão analisadas antes da elaboração de uma proposta definitiva, que ainda dependerá de deliberação do plenário da Corte.
Objetivo é incentivar transparência e aperfeiçoamento
Durante o encontro, Kassio Nunes Marques afirmou que as pesquisas eleitorais exercem papel relevante no debate público e que a proposta busca estimular o aperfeiçoamento técnico dos levantamentos, fortalecer a transparência e ampliar a confiança da população nas informações divulgadas durante o processo eleitoral.
Segundo a minuta, a ideia também é dar visibilidade aos institutos que apresentarem maior aderência entre as pesquisas e os resultados proclamados pela Justiça Eleitoral.
Institutos levantam dúvidas sobre critérios
Representantes de empresas que participaram da reunião manifestaram preocupação com a forma de avaliação proposta pelo TSE. Um dos principais pontos discutidos foi o fato de as pesquisas retratarem a intenção de voto em um determinado momento da campanha, que pode mudar até o dia da eleição.
Diretores de institutos afirmaram que pesquisas realizadas mais próximas da votação tendem naturalmente a apresentar resultados mais semelhantes ao das urnas, o que, segundo eles, precisará ser considerado caso o selo seja implementado.